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Alguns lugares são mágicos

  • 12 de mai. de 2015
  • 2 min de leitura

Algumas cozinhas são lugares mágicos. Têm o poder de me fascinar. De me fazer regressar à infância à procura daqueles aromas, daqueles sabores que já só existem nas minhas memórias. Dentro de algumas cozinhas continuamos a assistir a verdadeiros truques de mágica. Transformam-se simples produtos em sublimes iguarias. Prepara-se o prazer.

No entanto, tudo começa na sala, onde os profissionais ali presentes, para além das funções que lhe estão inerentes, têm que acumular a psicologia e, em muitos casos, o poder de adivinhação e o conhecimento dos sinais exteriores presentes em cada rosto. A a

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rte da mesa vai muito para além de um serviço prestado de uma forma eficiente e irrepreensível, sendo este, muitas vezes, a imagem de marca de um restaurante. Acredito que nem a melhor cozinha, de forma isolada, é capaz de fidelizar um cliente que saia desagradado com o serviço de mesa.

Escrevo como quem cozinha. Num frenesim. Numa agitação completa. Vagueio entre a cozinha e a mesa. Penso que é isso que me fascina. Não sei cozinhar profissionalmente. Não sei colocar magia nos pratos. Mas sei o impacto que causa a chegada desses pratos a uma mesa. Os olhares. Os sorrisos. Os comentários. Sei que o serviço de mesa pode serenar uma falha da cozinha. Sei que é possível criar um ambiente onde o cliente se sinta bem, onde seja bem acolhido.

Quando gasto o meu tempo para me sentar a uma mesa de restaurante, estou sempre à espera de uma experiência feliz. Puro egoísmo. Desejo o meu próprio prazer. Pior. Quase que imponho condições para meu prazer. O serviço de mesa realizado tem que me dar provas de que vale o meu investimento. Por isso, é necessário que eu sinta que quem o realiza também o faz por prazer. Depois disso, é preciso que na cozinha se faça alquimia. Preciso sentir que foi colocado amor em cada prato. Todos devíamos comer apenas o que nos dá prazer. Não importa se é um prato simples ou muito elaborado. Que seja um prato onde se sinta amor, e que nos chegue por simples prazer. Se o prato nos agrada, devemos partilhar a experiência. Caso contrário não vale a pena continuar. Afinal, alimentarmo-nos por dever é como experienciar uma felicidade obrigatória, e ninguém é feliz por obrigação!

Reunidas as condições para um momento de puro prazer, é necessário estar disponível para o viver. O prazer é ocioso… Carece de tempo. É demorado. Espera sempre pela duplicação. Mas é tão fácil criar felicidade pela comida e pelo serviço…

 
 
 

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