Abril abriu e floriu
- 25 de abr. de 2019
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"Há diversas modalidades de Estado: os estados socialistas, os estados corporativos e o estado a que isto chegou! Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos. De maneira que quem quiser, vem comigo para Lisboa e acabamos com isto. Quem é voluntário sai e forma. Quem não quiser vir não é obrigado e fica aqui.”
Salgueiro Maia, madrugada do dia 25 de Abril de 1974, parada da Escola Prática de Cavalaria, em Santarém.
Faz esta madrugada 45 anos que uma coluna militar, comandada pelo Capitão Salgueiro Maia, com cerca de 200 homens e 10 tanques blindados, saiu de Santarém, com destino ao Terreiro do Paço, em Lisboa.
Depois de posicionados os blindados, apontando para o então Ministério do Exército, os mesmos são cercados por outra coluna militar, liderada pelo Brigadeiro Reis, fiel ao governo instalado.
Nesse momento, a determinação de Salgueiro Maia levou-o a enfrentar, com a própria vida, caminhando a pé e sozinho, um blindado e uma das mais altas patentes militares.
Tomado o Terreiro do Paço, juntamente com o povo, seguiu para o Largo do Carmo, onde no quartel do comando geral da GNR, se encontrava o chefe do Governo, Marcelo Caetano, a quem deu voz de prisão, de megafone em punho.
Foi o último e mais fantástico golpe de Estado ocorrido no nosso país (entre 1910, quando foi proclamada a república em Portugal, até 1926, o país passou por dezasseis golpes de Estado).
Um golpe de Estado que depressa se transformou numa revolução que determinou o fim dos 48 anos da ditadura de Salazar.
Durante o golpe não foi possível conter nem controlar a exaltação que conquistou as ruas de Lisboa. O povo ocupava as praças, vaiava as limitadas forças militares do governo e oferecia apoio e alimentos aos heróis de abril, que empunhavam cravos em vez de armas.
Não vivi a ditadura.
Felizmente nunca soube o que era viver num ambiente opressivo e castrante, como era o regime fascista em Portugal, antes do 25 de abril de 74.
Na verdade, também não vivi o 25 de abril. Não senti a emoção. Não senti a alegria. Não senti o alívio. Não senti a excitação.
Não vivi este momento histórico, mas usufruo das suas conquistas, ao viver numa época onde os direitos são reconhecidos, as desigualdades diminuíram, a justiça aumentou, também fruto das portas que abril abriu.
Abriu e floriu. Floriu o acesso à educação. Floriu o acesso à saúde. Ganhou-se a terra. Dela se fez pão. Ganharam-se as ruas. Nelas se respirou o orgulho de uma geração.
Passados 45 anos sobre a revolução, é importante que tenhamos a capacidade de manter abertas as portas que abril abriu.

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