A vida é uma alegria subtil e... pintada de Amarelo! (editado)
- 10 de dez. de 2018
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Os últimos anos foram especialmente difíceis. Variadíssimas vezes me senti à beira de um precipício, com o cansaço natural do trabalho, aliado à dupla preocupação com três das mais importantes pessoas da minha vida. Foram vários os momentos em que tive vontade de fugir, de lançar tudo para o espaço, de desistir.
Foram dias e dias de preocupações. Noites e noites mal dormidas. Momentos de um sentimento de impotência atroz, que me consumia a cada segundo e que era o suficiente para me turvar o espírito.
Fiz uma imersão no trabalho. Fiz o tempo esticar. Trabalhei horas e horas a fio. Fiz algumas outras de voluntariado. Envolvi-me em vários projetos. Abracei novos desafios. Várias vezes tive a sensação de que não conseguia mais.
As preocupações, os medos, as angústias, a sensação de vazio e o sentimento de impotência não me abandonavam. Não consegui abstrair-me e expulsar os fantasmas, e isso perdurou, sem que eu conseguisse desligar a ficha da corrente. Mas também isto se aprende e se treina. A aprendizagem é, de facto, o sistema mais extraordinário do desenvolvimento do ser humano.
E…eis que um dia fui buscar à prateleira aquele livro mágico que me tinha acompanhado num dos momentos mais difíceis da minha vida.
Se tinha resultado naquela altura, resultaria agora também…

“O Mundo Amarelo”, de Albert Espinosa
“Albert fala de um mundo ao alcance de todos e que tem a cor do sol: o mundo amarelo. Um lugar cálido onde os beijos podem durar dez minutos, onde os desconhecidos podem ser os teus melhores aliados, onde o contacto físico perde a sua conotação sexual, onde o carinho é algo tão quotidiano como ir comprar pão, onde o medo perde o seu significado, onde a morte não é isso que acontece às outras pessoas, onde a vida é o mais valioso, onde tudo está onde tu queres que esteja. Este livro fala de tudo isto, de tudo aquilo que sentimos e não dizemos, do medo de que nos tirem aquilo que temos, de nos reconhecermos inteiramente e apreciarmos quem somos a cada segundo do dia.” (Eloy Azorín, ator)
Um livro fascinante, cheio de vida, que nos obriga a acordar do marasmo e a enfrentar as dificuldades com um olhar completamente diferente e muito positivo. Uma história de vida carregada de mensagens importantes. A descoberta dos “Amarelos”. Os ensinamentos que todos quantos passam pela nossa vida têm para nos dar. A descoberta de que podemos viver uma vida feliz (à nossa maneira). A capacidade de aceitar a nossa vulnerabilidade enquanto seres humanos.
Carreguei todas as minhas baterias nele, comecei a ganhar um fôlego extra, redescobri os meus “Amarelos” e encontrei alguns novos.
Descobri que o cancro, embora possa ser uma doença solitária, muitas vezes não o é. Embora constitua uma experiência que nos deixa cicatrizes, estas servem para mostrar onde estivemos e a riqueza das histórias que temos para contar.
Mostra-nos, acima de tudo, que a família é o suporte essencial e que o sorriso é a maior das armas.
Hoje, embora ainda preocupada, embora ainda com algum sentimento de impotência, reaprendi que o que importa verdadeiramente nesta vida não é visível a olho nu. Sente-se. Partilha-se. Vive-se. INCONDICIONALMENTE!

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