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Gulosas Tradições

  • 5 de out. de 2015
  • 2 min de leitura

Cada vez que se fala em doçaria conventual, tenho a repentina sensação de que o céu desce à terra…


Por esta razão não hesitei em aceitar o convite para integrar o Júri do I Concurso de Doçaria Conventual e Tradicional de Coimbra, que decorreu no âmbito da VII Mostra de Doçaria Conventual e Regional de Coimbra.


Passaram pela mesa do Júri excelentes exemplares dos dois tipos de doçaria a concurso, partilharam-se histórias e conhecimentos, recuou-se à origem… respondeu-se ao porquê…



Antes da Idade Média os doces eram essencialmente confecionados com mel, e foi com a exploração da cana-de-açúcar, no Brasil, que se começou a generalizar a utilização do açúcar em Portugal.


A maior parte das receitas de doçaria conventual nasceu nos conventos e mosteiros, pelas mãos das criadas que acompanhavam as meninas e senhoras abastadas que não tinham encontrado casamento à sua altura, e eram ali recolhidas. Ora, com todo o tempo de que dispunham dentro dos conventos, estas criadas foram afinando as suas receitas, dando origem a uma doçaria rica e confecionada a partir de grandes quantidades de açúcar, mais gemas que claras, amêndoa, outros frutos secos ou cristalizados, sendo a farinha quase inexistente.


Claro que nos conventos se produziam muitos outros doces para além daqueles que vulgarmente conhecemos como conventuais. Trata-se das marmeladas, dos doces de frutas e de outros bolos sem o “rótulo” de conventual.


A doçaria conventual, tal como hoje a conhecemos subdivide-se em três grupos essenciais: a doçaria de colher, os pequenos doces e os bolos grandes. Se é conventual, convém que saibamos de que convento ou de que mosteiro provém.

Paralelamente à doçaria conventual, e em alguns casos inspirada nesta, aparece a doçaria tradicional, que utiliza maioritariamente matérias-primas de origem local. A doçaria tradicional deve estar bem fundamentada, do ponto de vista histórico, deve ser genuína e ser reconhecida a nível local ou regional.





 
 
 

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