Na Taberna dos Cabrões
- 9 de ago. de 2015
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Um restaurante é muito mais do que a comida que serve. Se por um lado o mais requintado prato se pode transformar numa experiência medíocre, por outro lado, umas simples sardinhas podem transformar-se numa experiência gastronómica memorável.
Cada vez que conheço um novo restaurante espero que ele me proporcione uma experiência agradável, quer pela qualidade dos seus pratos, quer pelo ambiente proporcionado.
Estou muito longe de pertencer ao grupo daqueles que criticam por criticar. Prefiro apenas partilhar as boas experiências, registar algumas impressões pessoais, e valorizar aquilo que temos de bom em Portugal.
Começo pelo nome do restaurante. Um nome bem atípico, que poderá chocar ou provocar algum desconforto – Taberna dos Cabrões, perdida algures numa nacional que liga o Montijo a Alcochete.
A primeira vez que um cliente vai a este restaurante, é batizado pelo Sr. Serafim, o “cabrão-mor”, que entra na sala e toca um badalo grande para os homens e um pequeno para as senhoras, anunciando que “há gado novo!” Claro que este batismo acontece se o cliente entrar na brincadeira. Na dúvida, há a delicadeza de não aplicarem o batismo.
Entra-se para o restaurante por uma simples taberna, e somos convidados a nos instalarmos na sala seguinte ou no quintal traseiro, mesmo rústico. A sala de refeições está repleta de quadros de corticite com frases de bom humor, e alguns pares de cornos, fazendo jus ao nome do espaço. O quintal tem árvores de copa larga que fazem sombra a algumas mesas.
Depois de nos acomodarmos, iniciámos a refeição com uns torresmos que despertaram em mim memórias da minha infância. Tinham aquele maravilhoso sabor da cozinha genuína da minha avó; dos torresmos que ela fazia quando matava o porco, lentamente, no fogão a lenha.
Continuámos com um pão caseiro, maravilhoso, e uma esplendida salada de tomate, à qual se vieram juntar as mais deliciosas e suculentas sardinhas que já comi fora de casa.
Ficaram por provar as melhores iscas do mundo, e a fantástica caldeirada de línguas de bacalhau.
O ambiente é de taberna popular.
O atendimento é rápido, descontraído e bem-disposto.
Ali o tempo corre devagar. Ninguém tem pressa para nos mandar embora e, se necessário, até servem almoços depois das 15h00.
Uma experiência única, não só pela comida e pelo atendimento, mas pela grande lição de liderança que o Sr. Serafim nos deu, já para o final da refeição.
A sua equipa (cozinha e mesa) é composta por profissionais alegres e motivados.
Segundo o Sr. Serafim, não adianta querer ganhar tudo de uma vez, sacrificando as pessoas.
Os funcionários motivados produzem mais e melhor, e para isso, estão todos os dias à noite em casa, com as famílias. (O restaurante fecha antes das 20h00, se não houver reservas de grupos)
Para além disso, a Taberna dos Cabrões está fechada aos domingos, e encerra durante todo o mês de agosto.
Quando saímos, na primeira sala da taberna, toda a equipa estava sentada à volta da mesma mesa, para almoçarem todos juntos.
Uma grande lição de liderança.
Uma aula eficaz de um líder simples, mas grande!
Taberna dos Cabrões
Alto das Barreiras, Montijo. Tel.: 212 320 056

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