Viajámos e ganhámos
- 19 de jun. de 2015
- 3 min de leitura
“Aprendi que a humildade mora em corações alados que não carregam o peso do orgulho. Que respeito é par constante da admiração. E que só a generosidade é capaz de descongelar sentimentos frios.” (Renata Fagundes)
Acredito que à volta de uma mesa, com boa gastronomia, com bons ingredientes e com bons vinhos, somos capazes de criar laços. De contar histórias. De viver experiências únicas.
Começarei pelos chefes convidados, e recuarei ao tempo em que cada um foi aluno, limitando-me a explicar o que é ser aluno, porque foi exatamente isso que eles foram.
Ser aluno é viver a escola no seu todo. Viver os seus problemas. Aprender com os seus erros. Participar nas suas soluções. Vivenciar os seus eventos. Partilhar as suas experiências.
Ser aluno é entregar-se. Vestir a camisola. Orgulhar-se da sua escola. Tê-la presente na sua vida.
Ser aluno é percorrer o seu caminho, e reconhecer quem esteve presente no momento da formação. Isto marca a diferença!
Apesar do orgulho que senti, não foi uma surpresa aquilo a que assisti ontem na cozinha da EHTCoimbra. Na verdade, a confiança que tenho no Vítor Adão e no Telmo Moutinho é elevada, mas o prazer que este dia me proporcionou esteve muito acima do que eu poderia supor.
Dois jovens talentosos. Sabores intensos em cada prato. Emoções provocadas e sentidas. Coisas… que tentarei explicar.
Conseguimos viver um misto de devoção e amor à volta dos produtos utilizados, da cozinha de autor e das mutações radiantes, que transformaram simples produtos em pedaços de puro prazer.
Gosto de me exprimir assim. Com esta intensidade. Para que todos consigam perceber claramente aquilo que vivi. Claro que o projeto, numa fase inicial, foi pensado pelo Jorge Fernandes e pelo Paulo Paiva, mas rapidamente se estendeu também ao David Gomes, ao Mário Sá e à Rita Raimundo.
Foi um projeto estimulante. Os alunos envolveram-se. Viveram cada experiência com intensidade. Encerraram o projeto com um magnífico jantar, onde não faltou o brilho no olhar.
Durante o jantar, fomos presenteados com os Vinhos Julia Kemper, que revelaram as suas potencialidades intrínsecas, harmonizando na perfeição com o menu.
Os vinhos Julia Kemper são produzidos no Dão, em perfeita harmonia com o meio ambiente e respeitando a filosofia de colocar amor naquilo que se faz. Depois disso, só é possível degustá-los ao ritmo do “slow-wine”. Foi também assim que conhecemos Elpenor… Uma lagarta que vive nas videiras de onde são colhidas as uvas para produção do vinho com o seu nome, representando a garantia de que aqui se respeita o meio ambiente.
Diz-se que, para que haja alguma coerência entre um bom prato e um bom vinho, devem ser seguidas algumas regras básicas. Pois bem… As regras não são definitivas!
De experiência vivida ontem consegui conclui que neste mundo das harmonizações, é possível quebrar todas as regras e, mesmo assim, o casamento ser perfeito. Nada depende apenas do elemento principal, ou simplesmente do vinho. É toda uma comunhão entre elementos, molhos, folhas, temperos e vinhos. Uma combinação feliz que só acontece quando todo o conjunto ganha.
Ontem todos ganhámos.
Os pratos foram muito bons!
O vinho era muito bom!
Beterraba, nabo e novilho
Julia Kemper Branco 2013

Cletonias, pickes e beringelas
Elpenor by JK Rosé

Cavala fumada, puré de couve-flor e rabanetes
Elpenor by JK Tinto 2010

Pescada e ervilhas da horta
Elpenor by JK Rosé

Cachaço de porco bísaro, aipo e milhos
Julia Kemper Tinto Reserva 2010

Falso ouriço de manjericão e morangos
Elpenor by JK Rosé

Como um mil folhas de caramelo, amendoim e baunilha
Julia Kemper Touriga Nacional 2011


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