Depois da porta fechada...
- 17 de mai. de 2015
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Foi uma verdadeira surpresa a chegada à frente desta porta, mas ficou em mim um sabor a pouco. Pouco desta nossa identidade nacional, deste nosso património à mercê de um qualquer fiel depositário da sua chave. E este é apenas um dos muitos exemplos espalhados por esse país fora. História e cultura com horários bem ajustados ao visitante (...), num país onde o turismo ainda é o setor que continua a crescer.
Monumentos. Museus. Património edificado. Portas fechadas.
Deixei o interior para ver noutra altura. Talvez um dia ali regresse. A uma igreja datada de 1530, de estilo manuelino, e classificada como monumento nacional desde 1910. Um verdadeiro museu da azulejaria portuguesa.
O nosso património, edificado ou não, é o testemunho da nossa cultura. É a nossa identidade. Reflete o desenvolvimento da nossa história. Devia estar acessível.
No entanto, o conceito por aqui deve ser outro que não compreendo, e que nem vale o esforço de tentar compreender. Talvez esteja na altura de começarmos a refletir acerca do quanto perdemos por ter portas fechadas. Talvez esteja a chegar o momento de trilhar novos caminhos para valorizar o património que temos fora dos grandes centros urbanos.
Segui viagem e sucederam.se os campos bem tratados, as culturas impecáveis. Não! Não se tratava de um jardim, de uma mata, de uma floresta, nem sequer de uma paisagem protegida. Eram campos de cultivo, daqueles que nem sequer fazem parte do nosso património natural.
Campos onde o conhecimento tradicional é colocado em prática por mãos sábias e rostos queimados pelo sol. Rostos de quem conhece bem os recursos e os utiliza para garantir um alimento digno para a população. Por aqui não existem portas fechadas. Quado nos aproximamos somos recebidos com um sorriso rasgado de quem não sente o tempo a passar. São muitas as portas abertas em simultâneo. É bom ver as ovelhas partilharem o seu espaço com as cegonhas.
Não há nada como ter o campo, o céu e o mar como companhia. O sol entra sem pedir licença. Ao longe, no horizonte, o verde dos campos funde-se com o azul do mar.
Gosto particularmente destes dias de sol aberto que convidam a um passeio de descoberta.

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